Papel digital nas bancas!
Um assunto que é debatido esporadicamente, mas ainda não ganhou muita atenção, é o futuro do papel nas publicações impressas. Em 2007, com as notícias dos avanços na tecnologia do papel digital(e-paper) apresentadas por empresas como Xerox, 3M, LG, Philips e Lucent, e a previsão para sua entrada no mercado consumidor por volta de 2010, muito se debateu e se conjecturou a respeito do impacto do papel digital no mercado impresso, o maior impacto sendo a completa substituição dos impressos em papel pelas publicações em papel digital.
Recentemente, a revista Esquire anunciou sua edição comemorativa de seu 75º aniversário, usando papel digital na sua capa. A revista ainda é toda feita em papel, com exceção da capa, que é feita em papel digital.
O que muda? Bem, enquanto uma capa impressa em papel é estática, o papel digital dá vida à capa, permitindo dar destaque, a cada momento, a cada uma das informações da capa, diminuindo a poluição visual.
Para ver o vídeo da capa da Esquire, clique aqui.
Se você viu o vídeo, percebeu como uma capa em papel digital se destaca perto das demais, que usam capa de papel impresso.
É um exemplo do que está por vir, mas não significa que daqui a pouco todo mundo seguirá o exemplo da Esquire e publicará suas revistas usando papel digital na capa, ou mesmo em todo o conteúdo. Devido a restrições tecnológicas e logísticas, ainda não é viável a publicação em massa de livros e revistas usando o papel digital. A capa da Esquire levou 1 ano para ser feita e a logística de sua produção e distribuição teve que ser bem estuda, visto que o chip do papel digital utilizado(utilizou-se a tecnologia E-Ink) possui vida útil de pouco menos de 2 meses.
Agora, a pergunta que fica no ar é: como o papel digital irá mudar a maneira de se produzir, vender e consumir quadrinhos? A partir do momento em que as revistas em quaddrinhos passarem a serem produzidas num meio mais dinâmico, como o caso do papel digital, que novidades podemos esperar? Eu citaria algumas:
a) Melhor utilização dos espaços, visto que não será preciso deixar parte do quadrinho para os balões, já que estes poderão aparecer sobrepostos à imagem e depois desaparecer;
b) Sonoridade substituindo ou complementando as onomatopéias. Com o papel digital, poderíamos ouvir os tiros sendo disparados numa cena de ação, ao invez de apenas ler “BANG BANG”;
c) Animações limitadas a cenas específicas, como o herói dando um soco na cara do bandido, ou um personagem caindo do alto de um prédio;
d) Melhor sensação de profundidade, ao permitir animar cenas trabalhadas com perspectivas, como um carro correndo dentro de um túnel;
e) Possibilidade de baixar da internet as novas edições da sua HQ favorita, visto que agora estamos falando de uma HQ produzida em meio digital. Isso tornaria desnecessário o deslocamento físico até o ponto de venda para comprar a HQ.
f) A produção digital iria exigir uma gama de novos talentos, pois iria além de meramente escanear um desenho e/ou trabalhá-lo no Photoshop. A maneira de se pensar uma revista em quadrinhos mudaria, pois estariamos agora trabalhando num meio dinâmico e o dinamismo deverá fazer parte do processo criativo para melhor utilizar os recursos que estariam disponíveis pelo papel digital.
Se você ainda não está familiarizado com o papel digital e gostaria de obter mais informações sobre como funciona essa tecnologia, leia abaixo uma ótimo explicação retirada do glossário do site Guia do Hardware:
“Eletronic Paper. Este termo refere-se a um dispositivo eletrônico que se parece com uma folha de papel e pode ser utilizado para ler textos carregados na memória. A idéia é que estes dispositivos tornem-se baratos o suficiente para substituir livros, revistas e outros impressos, que poderiam ser comprados em formato digital por preços módicos e serem lidos através do dispositivo. Isto permitiria que os autores vendessem seus trabalhos diretamente através da Web, eliminando atravessadores (como as editoras e livrarias) que encarem o material.
Existem várias tecnologias de E-paper. As duas que mais se destacam são a tecnologia Gyricon, desenvolvida pela Xerox e 3M e a E-Ink, desenvolvida pela Lucent.
Na Gyricon a tela é formada por duas folhas de plástico, contendo milhões de pequenas esferas, brancas de um lado e pretas do outro, que podem ser giradas utilizando eletricidade estática para formar a imagem. Na E-Ink são usados transístores e diodos emissores de luz. O princípio de funcionamento é semelhante ao dos monitores LCD, mas as telas são flexíveis e mais baratas. Existe também a possibilidade de criar telas coloridas. Nenhuma das duas tecnologias está pronta para o mercado, mas ambas prometem para os próximos anos.”